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Seis em cada dez prefeitas relatam ser vítima de violência política
O resultado aponta que 60,4% das prefeitas e vice-prefeitas responderam que já enfrentaram alguma forma de violência política de gênero
Redação | quinta-feira, 8 outubro , 2026
Seis em cada dez prefeitas e vice-prefeitas ouvidas em levantamento nacional afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência política de gênero durante a campanha ou o exercício do mandato. O estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), em parceria com o Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), contou com a participação de gestoras do Piauí e aponta a violência como uma das barreiras para a presença feminina nos espaços de poder.

O resultado aponta que 60,4% das prefeitas e vice-prefeitas responderam que já enfrentaram alguma forma de violência política de gênero. Considerando apenas as prefeitas entrevistadas em todo o país, o percentual sobe para 66,7%.
A pesquisa foi realizada entre agosto e outubro de 2024. Ao todo, foram ouvidas 224 prefeitas, de um universo de 677, e 210 vice-prefeitas, de um total de 898. O objetivo foi avaliar a dimensão da violência política de gênero e seus impactos sobre o desempenho e a permanência das mulheres em cargos de liderança municipal.
Entre as prefeitas que relataram episódios de violência, 50,4% apontaram agressões verbais, como insultos e ameaças. Outros 43,5% relataram violência psicológica, incluindo assédio moral e pressão, enquanto 6,1% mencionaram violência física. Entre as vice-prefeitas, a violência psicológica aparece em 47,8% das respostas e a verbal em 47,3%.
Redes sociais concentram relatos
As redes sociais aparecem como o principal ambiente onde ocorreram os episódios. Entre as entrevistadas, 46% afirmaram que as práticas de violência aconteceram em publicações nas plataformas digitais. Outros 22,6% apontaram ações com a comunidade e 18% citaram programas de rádio e televisão.

Os episódios também provocaram reflexos fora da atividade política. Entre as gestoras que sofreram violência, 47,1% disseram ter sido psicologicamente afetadas e 9,9% relataram consequências físicas. Em relação à administração municipal, 36,5% afirmaram que a violência afetou de alguma forma a gestão.
Apesar do cenário, metade das mulheres ouvidas afirmou que pretendia continuar na política disputando a reeleição nas eleições municipais de 2024. O levantamento apontou que 50,2% tinham intenção de buscar um novo mandato, enquanto 11,9% pretendiam concorrer a outro cargo. Outros 9,6% declararam não ter intenção de permanecer na política.
O estudo também analisou quais medidas poderiam reduzir a violência política de gênero. Entre as gestoras, 39,1% apontaram campanhas de conscientização e educação, 31,7% defenderam maior rigor na aplicação das leis existentes e 25,5% indicaram a necessidade de novas políticas de proteção às mulheres na política.
Na avaliação da CNM e do MMM, a violência política permanece como um dos fatores que dificultam a participação feminina. O documento cita agressões verbais, ameaças, desinformação e ataques sistemáticos em ambientes digitais entre as formas de violência enfrentadas pelas mulheres que ocupam cargos políticos.
Fonte: Cidade Verde



