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Viva o Semiárido promove oficina em Picos

A atividade foi organizada de modo a informar sobre o programa e instruir as pessoas que são público-alvo do projeto como acessá-lo

| domingo, 4 dezembro , 2016

33f7b33afa_mediaaaaA Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR) realizou a I Oficina de Qualificação de Demandas Socioprodutivas de Jovens e Mulheres no Âmbito do Projeto Viva o Semiárido em Picos. A atividade foi organizada de modo a informar sobre o programa e instruir as pessoas que são público-alvo do projeto como acessá-lo. Além de jovens e mulheres, o Viva o Semiárido também é direcionado a quilombolas, já tendo sido realizada uma oficina destinada a este público no mês de setembro.

Participaram do evento cerca de 95 pessoas, entre jovens e mulheres, oriundas dos cinco territórios situados no bioma do Semiárido piauiense: Itaim, Vale do Sambito, Vale do Rio Guaribas, Vale do Rio Canindé e Serra da Capivara.

“Nesses territórios, nossas equipes regionais buscaram identificar grupos de jovens e mulheres já com iniciativas empreendedoras na área produtiva que possa gerar renda para promover a saída dessas famílias da pobreza. Dentre os participantes, há também algumas instituições parceiras que têm o potencial de mobilização, de oferta de políticas públicas ou de acompanhamento desse trabalho. É o caso do Emater, que é uma co-executora do projeto e faz o trabalho de elaboração de projetos e assistência técnica. E temos a Coordenadoria da Juventude que é uma parceira nessa perspectiva mobilizadora e na oferta de políticas públicas”, explicou a diretora-técnica do projeto, Lúcia Araújo.

Durante as atividades, houve apresentações de projetos financiados pelo Viva o Semiárido, como é o caso do Projeto de Terminação de Caprinos e Ovinos, do assentamento Lisboa, localizado no município de São João do Piauí.

A iniciativa tem como objetivo implantar um sistema de terminação escalonada de bodetes e borregos, além de envolver criadores e técnicos que vivem na comunidade. A ação é comandada por um grupo de 15 jovens. Ao todo, 36 pessoas participam do projeto, entre criadores e técnicos.

Elias Oliveira de Araújo, um dos jovens que fazem parte da iniciativa, explica que nem todo o investimento é oriundo do Viva o Semiárido. O projeto é orçado em R$ 414.242,46, recurso que vem de outras entidades como a Fundação Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com Oliveira, o recurso do Viva o Semiárido é para custear a energia elétrica e para financiar o sistema de irrigação do pasto, que será por aspersão. Elias diz que o projeto também tem como finalidade estimular a permanência dos jovens na comunidade e que as ações já realizadas causaram impactos no assentamento. “Houve uma mudança até no modo dos produtores criarem os bichos”, informa o jovem.

Oficinas

Durante as oficinas, os territórios foram separados em grupos e o responsável por cada Unidade Regional Gestora do Projeto (URGP) tirou dúvidas dos participantes sobre o preenchimento e encaminhamento da carta consulta, documento no qual deve ser descrita sucintamente a atividade a ser realizada pelo grupo de jovens ou de mulheres.

Um aspecto ressaltado por membros de diferentes comunidades foi a necessidade de investimentos tanto para jovens como para mulheres, considerados dois grupos sociais vulneráveis.

O documentário “As sementes”, produzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi exibido em uma das atividades do evento e trouxe a narrativa de quatro mulheres sobre as vivências no campo. Oriundas de diferentes regiões do país – Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Rio Grande do Sul – elas conseguiram se sobressair em suas comunidades por meio da agroecologia, uma forma de cultivo agrícola que oferece poucos danos ao meio ambiente.

Tendo participado da produção do curta, Lica Neves, consultora do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), explicou como a agroecologia mudou a vida daquelas mulheres em diversos aspectos tais como, a “participação na renda familiar, autonomia financeira, independência e segurança alimentar”.

A representante estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Maria Kazé, mostrou um dado semelhante no Piauí: as mudanças causadas pela participação de mulheres em iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos. “Aqui, no Vale do Guaribas, temos cerca de 200 mulheres que participam desse programa. Isso causa impacto na renda familiar e na participação dessa mulher nas decisões da família, dois aspectos culturalmente negados às mulheres”, explica Kazé.

Ela diz que o programa Viva o Semiárido irá fortalecer essas mulheres que, com o recurso, podem melhorar a estrutura de equipamentos de seu empreendimento agrícola.

Parcerias

O programa Viva o Semiárido é uma iniciativa do Governo do Estado, por meio da SDR, e do Fida e tem como componentes o desenvolvimento produtivo, social e humano, o fortalecimento institucional e a unidade gestora.

O projeto é executado em parceria com vários órgãos do governo como as secretarias de Estado da Educação, Planejamento, Trabalho e Empreendedorismo. Agora, a Coordenadoria da Juventude do Estado do Piauí (Cojuv) será mais uma parceira do projeto, prestando assessoria e buscando a sensibilização junto aos jovens das comunidades camponesas, de modo a mobilizar aqueles com potencial empreendedor.

“Na Cojuv, já temos uma forte atuação junto às juventudes do campo. Neste ano, realizamos várias ações com as juventudes camponesas no interior do estado, seja de diálogo direto para averiguar demandas e a elaboração futura de políticas públicas, seja por meio dos nossos projetos, como é o caso do Juventude Rural. Em julho, realizamos uma atividade no município de São Pedro em que levamos serviços, informações e lazer para os jovens da comunidade Lagoa Seca. Então, com essa parceria com a SDR, iremos reforçar esse diálogo”, disse o coordenador estadual da Juventude, Vicente Gomes.

O coordenador também anunciou a parceria na realização de encontro para socialização das experiências e exposição dos produtos a serem comercializados.

O gerente de Políticas para o Meio Rural da Cojuv, Messias Nassau, explicou que os recursos do Viva o Semiárido são importantes para garantir a permanência do jovem no campo. “A juventude camponesa, historicamente, foi negada, dentro desse contexto do Semiárido. Então, o projeto tem essa lógica de empoderar essa juventude, trazendo políticas públicas que permitam a sucessão rural. Agora, nessa fase de consolidação do programa, sentimos que as coisas estão realmente acontecendo”, avaliou Nassau.