Piauí registra mais de 84 mil crianças com excesso de peso
Dados do SISVAN apontam que quase três em cada dez crianças de até 9 anos apresentam excesso de peso; especialistas defendem prevenção desde a primeira infância
| domingo, 7 junho , 2026
O Piauí registrou 84.046 crianças de 0 a 9 anos com excesso de peso em 2025, segundo dados parciais do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), consultados em maio deste ano. O número corresponde a 29% das crianças acompanhadas nessa faixa etária, o equivalente a quase três em cada dez crianças, e reforça o alerta para o avanço da obesidade infantil no estado.

O cenário observado no Piauí acompanha uma tendência nacional. De acordo com o Panorama da Obesidade Infantil e Adolescente, elaborado com base em informações do SISVAN, o Brasil contabiliza atualmente 1.171.916 crianças com obesidade e outras 783.017 com obesidade grave entre 0 e 9 anos. Os índices representam, respectivamente, 8,94% e 5,97% do total de crianças avaliadas.
A preocupação é ampliada pelas projeções internacionais. Conforme o Atlas Global da Obesidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil poderá ocupar, até 2030, a quinta posição entre os países com maior número de crianças e adolescentes obesos do mundo, caso medidas mais efetivas de prevenção não sejam implementadas.
Para a pediatra Mariana Grigoletto, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), os números evidenciam que a obesidade infantil deixou de ser um problema isolado e passou a representar um importante desafio para a saúde pública.
“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta”, afirmou a especialista.
Entre os principais impactos associados ao excesso de peso estão o aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e problemas emocionais, como baixa autoestima, ansiedade e exposição ao bullying.
Embora a maioria das crianças avaliadas apresente peso considerado adequado, os dados mostram que a situação exige atenção. Segundo o SISVAN, 62,8% das crianças monitoradas estão dentro da faixa ideal de peso. No entanto, aproximadamente 37% apresentam algum tipo de alteração nutricional, incluindo sobrepeso, obesidade ou obesidade grave.
Especialistas destacam que a prevenção deve começar nos primeiros anos de vida, com incentivo à adoção de hábitos saudáveis dentro e fora de casa. Entre as principais recomendações estão a oferta de alimentos in natura ou minimamente processados, a redução do consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas, a prática regular de atividades físicas e o controle do tempo de exposição às telas.
“Formar hábitos saudáveis desde cedo é decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética possa influenciar, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil”, ressaltou Mariana Grigoletto.
Os dados do SISVAN também mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas tende a aumentar conforme as crianças crescem, fator que contribui para o agravamento do problema. Diante desse cenário, especialistas defendem ações permanentes de conscientização envolvendo famílias, escolas, profissionais de saúde e gestores públicos, com o objetivo de promover uma infância mais saudável e reduzir os impactos da obesidade nas próximas gerações.
Fonte: Cidade Verde



