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Justiça mantém prisão de suspeito de matar filho de vice-prefeito

Guilherme Silva, apontado como autor do crime, deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado. O delegado destacou que houve motivação homofóbica no caso

| quinta-feira, 15 janeiro , 2026

A Justiça do Distrito Federal negou o pedido de Habeas Corpus com pedido de liminar para Guilherme Silva, preso preventivamente suspeito de assassinar o professor piauiense João Emmanuel, no dia 4 de janeiro, em Sobradinho, no Distrito Federal. A decisão é do dia 14 de janeiro. João Emmanuel era filho do vice-prefeito de Isaías Coelho, no Piauí, George Moura.

João Emmanuel

A defesa alegou que Guilherme Silva não possui histórico de envolvimento com delitos e considerou o episódio “absolutamente isolado”. Foi alegado ainda que o acusado é primário, exerce atividade laboral lítica, possui residência fixa e núcleo familiar estável.

“Argumentam que a conduta praticada pelo investigado se amolda ao crime de homicídio culposo, afastando a alegação de dolo homicida. Com tais argumentos, pugnam, inclusive liminarmente, pela revogação da preventiva, para que seja o paciente posto em liberdade. Subsidiariamente, a concessão da liberdade provisória com a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão”, afirma a defesa.

O desembargador Sandoval Oliveira rejeitou o pedido de liberdade e Guilherme permanecerá preso. No entendimento do desembargador, as medidas cautelares não se fazem satisfatórias para manutenção da ordem pública, já que ele confessou a autoria do crime.

“No caso, os indícios de autoria decorrem dos depoimentos colhidos em fase inquisitorial, bem como da confissão do paciente em Delegacia, quando admitiu ter agredido a vítima com socos e pisadas em sua cabeça. Já no que toca ao periculum libertatis, sem aprofundar a alegada motivação do crime, a necessidade da custódia cautelar permanece evidenciada, haja vista a violência exacerbada cometida em face da vítima, o que demonstra periculosidade.  Por oportuno, cumpre acrescentar que vigora na jurisprudência desta Corte o entendimento de que, sendo necessária a segregação cautelar como garantia da ordem pública, nenhuma das medidas alternativas à prisão emerge capaz de cumprir satisfatoriamente o mesmo propósito”, afirmou o desembargador.

Investigação aponta homofobia

O delegado Ricardo Viana, titular do 35º Distrito Policial de Brasília, revelou detalhes da investigação que localizou e apontou a dinâmica do crime que vitimou o professor piauiense João Emmanuel, de 32 anos, no dia 4 de janeiro em Sobradinho, no Distrito Federal.

O autor do crime é um serralheiro, identificado como Guilherme Silva, de 24 anos.  Ele teria seguido a vítima e a agredido fisicamente com socos no rosto, derrubando-a ao solo. Com a vítima caída, o indiciado desferiu chutes e pisadas em sua cabeça, ocasionando lesões que, em tese, resultaram na morte. Após assassinar brutalmente a vítima, ele a deixou agonizando no local e seguiu para o trabalho. Ele saiu da cena do crime após receber uma carona do patrão, que também é serralheiro.

O patrão ligou para a esposa pedindo que acionasse o Corpo de Bombeiros, informando que uma pessoa estaria agonizando na parada de ônibus. Quando o socorro chegou ao local, João Emmanuel já havia falecido.

Preso na noite do dia 5 de janeiro, o suspeito apresentou sua versão dos fatos. Segundo ele, João Emmanuel teria supostamente feito gestos de cunho sexual em sua direção e, em resposta, ele iniciou as agressões. Os supostos gestos fazem parte da versão do suspeito, e continua sendo investigada a veracidade. O delegado Ricardo Viana destacou que o crime foi cometido com bastante frieza e que tanto a vítima quanto os dois envolvidos moravam próximos, mas não se conheciam.

O corpo da vítima apresentava lesões graves no rosto, e a perícia apontou que a agressão foi tão violenta que a marca do calçado do agressor ficou impressa no rosto do professor. O corpo dele foi trazido para o Piauí e enterrado em Isaias Coelho.

Guilherme Silva, apontado como autor do crime, deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado. O delegado destacou que houve motivação homofóbica no caso.

“É uma situação que deixou a gente bastante perplexa e eu gostaria de destacar também a situação da tipificação da conduta pelo homicídio duplamente qualificado, pelo motivo fútil. O motivo fútil foi porque foi uma questão homofóbica que ele tirou a vida da vítima. O motivo torpe foi porque ele matou a vítima com as mãos e com os pés. Foram várias agressões que deixou a vítima naquele estado lá que acabou falecendo em decorrência das lesões”, explica o delegado.

Fonte: Cidade Verde