Barragem de Boa Esperança atinge 79% da capacidade
A informação foi confirmada pelo gerente executivo de gestão da operação da Axia Energia no Nordeste, Ladário Moraes, responsável pela administração da usina hidrelétrica
| quarta-feira, 11 março , 2026
A vazão liberada pela barragem de Boa Esperança, no município de Guadalupe, foi reduzida para cerca de 1.000 metros cúbicos por segundo após atingir níveis mais altos na última semana devido às chuvas intensas na bacia do Rio Parnaíba.
A informação foi confirmada pelo gerente executivo de gestão da operação da Axia Energia no Nordeste, Ladário Moraes, responsável pela administração da usina hidrelétrica.

Segundo ele, o aumento da liberação de água ocorreu após um pico de chuvas registrado entre os dias 4 e 7 de março, quando a barragem chegou a receber até 2.200 m³/s de água, elevando rapidamente o volume do reservatório.
“Verificamos afluências da ordem de 2.200 e 1.700 metros cúbicos por segundo, o que é considerado significativo. Em quatro dias, o reservatório saiu de cerca de 69% para 82% da capacidade”, explicou.
Redução gradual da vazão
Para evitar o aumento rápido do nível da barragem, foi necessário ampliar temporariamente a vazão liberada. A liberação chegou a aproximadamente 1.600 m³/s, mas já começou a ser reduzida conforme diminuiu o volume de água que chega ao reservatório.
“Hoje já estamos com média de 1.000 metros cúbicos por segundo, uma vazão menor porque a afluência da bacia do Parnaíba começou a reduzir”, afirmou Moraes.
Segundo ele, a tendência é que cidades localizadas após a barragem, como Floriano e Teresina, percebam gradualmente a diminuição do nível do rio. “Já vamos enxergar uma redução dessa defluência nas cidades a jusante da barragem”, disse.
Operação considerada normal
Apesar da elevação recente da vazão, o gerente afirma que a operação da barragem segue dentro da normalidade e sem risco estrutural.
De acordo com ele, o controle do nível do reservatório faz parte do chamado “volume de espera”, mecanismo utilizado para armazenar água e evitar que grandes volumes sejam liberados de uma só vez.
“O reservatório cria um volume de espera justamente para armazenar essa água e evitar que seja liberada toda de uma vez para as cidades abaixo da barragem”, explicou.
Atualmente, o reservatório está com cerca de 78% da capacidade, percentual considerado adequado para o período chuvoso.
Monitoramento 24 horas por dia
A operação da barragem é monitorada continuamente por engenheiros e técnicos.
Segundo Moraes, existem 17 pontos de controle ao longo da bacia do Rio Parnaíba, que permitem acompanhar o volume de água que chega ao reservatório e avaliar os impactos da liberação nos municípios a jusante.
“Esse monitoramento é feito 24 horas por dia. Em períodos de cheia, a análise pode ser feita até hora a hora, justamente para garantir segurança às populações ribeirinhas”, destacou.
Sistema de alerta para moradores
A empresa responsável pela operação da barragem também disponibiliza um sistema de alerta por SMS para informar mudanças na vazão.
Para receber os avisos, moradores podem enviar a palavra “boa” para o número 27569.
Sempre que houver alteração na quantidade de água liberada, os usuários cadastrados recebem um aviso automático.
Capacidade do reservatório
Segundo o gerente da Axia Energia, o reservatório da barragem costuma atingir níveis próximos da capacidade máxima durante o período chuvoso, que vai de novembro a abril.
Historicamente, a barragem já registrou cerca de 85% de armazenamento no mês de março, percentual semelhante ao observado neste ano.
Após o período de chuvas, a tendência é que o reservatório seja gradualmente reenchido e chegue próximo de 100% da capacidade, permitindo geração de energia ao longo do restante do ano.
Durante o período seco, que vai aproximadamente de maio a novembro, o nível da barragem pode cair para cerca de 20% a 30% do volume, conforme a demanda energética.
Além da geração de energia elétrica, a barragem de Boa Esperança desempenha papel importante no controle de cheias do Rio Parnaíba, ajudando a reduzir impactos em cidades como Floriano e Teresina.
“O foco principal durante o período chuvoso é garantir a segurança da barragem e das populações que vivem às margens do rio”, concluiu Moraes.
Fonte: Cidade Verde



