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15% das mulheres podem ter depressão pós-parto

Os sintomas podem envolver sentimentos de tristeza contínua, vontade de se afastar do filho ou até de querer prejudicá-lo

| segunda-feira, 19 janeiro , 2015

Não há como prever. Tão pouco superá-la sem as devidas orientações. No entanto, a Depressão Pós-Parto (DPP) é mais comum do que se imagina. Dados estatísticos apontam que cerca de 15% das mulheres sofrem dessa séria doença, que se apresenta em níveis psicológico e fisiológico após o nascimento do bebê. Os sintomas podem envolver sentimentos de tristeza contínua, vontade de se afastar do filho ou até de querer prejudicá-lo. O certo é que a DPP é um diagnóstico difícil de ser interpretado aos olhos da sociedade e ainda mais complicado para a mãe que se vê nesta situação.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A doença tem, há séculos, indícios históricos descritos pela humanidade. Na Idade Média, mulheres que apresentavam sintomas de depressão pós-parto eram consideradas bruxas. Com o desenvolvimento das sociedades, ficou cada vez mais elucidado os sintomas e o panorama que envolvem a doença. Estudos recentes sobre o tema também mostram que um quinto das mulheres apresenta sinais de depressão no primeiro anos após o parto e, desse total, metade apresenta sintomas sérios.

O médico obstetra Alberto Monteiro explica que a depressão pode se apresentar de maneiras leves, médias e graves. “Essa é uma doença bem presente na nossa sociedade, conhecida grosseiramente como depressão pós-parto, depressão puerperal ou síndrome azul. A mulher tem alterações graves no seu comportamento psicossocial, que pode ir da forma mais leve, que é a mais frequente, até a forma mais grave, onde existe um total desarranjo psicossocial do comportamento dessa mulher que foi mãe há pouco tempo”, afirma.

As formas mais leves, muitas vezes, estão ligadas às alterações hormonais que ocorrem após o parto. Porém, a depressão é mais do que estar triste ou assustada apenas por uns dias com a inerente mudança de vida. Em um quadro de depressão, a tristeza, a ansiedade ou o vazio de sentimentos não desaparecem e interferem no dia a dia e no próprio vínculo entre mãe e filho.

“Naturalmente, toda mulher grávida tem o seu humor diferenciado pela ação dos hormônios, que alteram sua irritabilidade e suscetibilidade, quer dizer que as mulheres grávidas se transformam em seres mais sensíveis. Mas é preciso diferenciar. Existem tristezas passageiras e também existe a depressão pós-parto imediata, e até aquelas formas mais tardias, com algumas semanas e meses da parturição”, ressalta o especialista.

Para identificar e, assim, ter possibilidade de tratar a doença, é necessário se atentar à rotina da mulher. Algumas mudanças naturais, durante e depois da gravidez, podem causar sintomas similares aos da depressão. Caso sintomas, tais como mau humor, tristeza, choro frequente, desespero, sentimento de culpa, dificuldade de concentração e memória, distúrbios na alimentação e no sono, perdurem por mais de duas semanas, é preciso se atentar para o tratamento da doença.

Alberto Monteiro ressalta que a família pode cumprir um papel fundamental neste processo. “Primeiro, as pessoas de convívio próximo podem notar alteração no humor da mulher, ver que ela diminuiu a sociabilidade, que até esconde o próprio filho. A mulher se retrai, fica mais introspectiva, menos sociável, chora fácil. Nesse aspecto, a família é muito importante, os primeiros sinais de evolução da doença quem percebe é a família, e é quem pode ajudar a encaminhá-la para um tratamento”, afirma.

Em casos graves, para tratar a paciente diagnosticada com depressão pós -parto, poderá acontecer o afastamento da criança, além do acompanhamento médico contínuo através de um psiquiatra e também psicólogo.

Apesar de comum, não existe uma única causa para a depressão. Ela resulta da combinação de diversos fatores e é uma doença que tende a expandir-se nas famílias. Por isso, o acompanhamento da recente mãe deve ser realizado com a devida atenção, já que as depressões não tratadas podem prejudicar também a própria criança.

Por: Glenda Uchôa – Jornal O Dia