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Wellington Dias afirma que Wilson traiu o projeto

O governador eleito Wellington Dias (PT) falou pela primeira vez sobre o rompimento com o ex-governador Wilson Martins (PSB)

| terça-feira, 30 dezembro , 2014

O governador eleito, Wellington Dias (PT), falou pela primeira vez sobre o rompimento com o ex-governador Wilson Martins (PSB) e admitiu que o projeto foi traído. wdiasentre27777

Único governador da história do Piauí eleito por três vezes, Wellington garantiu que deseja disputar um quarto mandato.  O político falou dos embates que teve com o ex-prefeito Wall Ferraz, as divergências com o ex-senador Heráclito Fortes e seus planos para o novo governo.

Na intimidade, revelou que lava pratos e não vai estimular os filhos a seguirem carreira política. Sobre o secretariado, ele disse que não irá admitir incompetência, corrupção e descaso com o Piauí.

Confira entrevista:

Quem é o cidadão Wellington Dias? o que mudou nos últimos 12 anos?

Tenho uma vida que só tenho que agradecer a Deus. Às vezes, em determinado momento da vida, a gente não entende por que comigo? Por que comigo? Mas, a vida inteira é como se Deus viesse preparando para cada tarefa maior lá na frente (risos). Eu tenho orgulho de tudo que eu vivi e o que sou hoje é fruto da construção do apoio de muita gente, desde os meus pais, duas pessoas maravilhosas e simples.

…Olhando para trás nunca deixei de gostar das coisas que eu sempre gostei. Sou uma pessoa muito de família, de amigos. Mantenho um relacionamento com amigos lá da minha infância…

…Eu gosto de futebol, eu gosto de cinema, gosto de pescar, gosto de uma boa música, não tenho preconceito, gosto do brega ao clássico…

 “Eu tenho orgulho de tudo que eu vivi e o que sou hoje é fruto da construção do apoio de muita gente”...

O srº está ficando mais intolerante?

Ao contrário. Eu me sinto mais aberto. Eu guardo na memória algumas coisas, como qual era meu pensamento quando eu era sindicalista da Associação da Caixa. Tínhamos boletins, jornais, e era o tom que eu dava ali. Já na Câmara de vereadores – aliás, me lembrei esses dias quando eu estava na diplomação e vi o Rodrigo Ferraz, quando era vereador  e o Wall Ferraz foi eleito prefeito, um dia, ele (Wall Ferraz) mandou um projeto de reforma administrativa e eu desci o cacete. Tinha lá Secretaria Extraordinária não sei de que, Secretaria Extraordinária não sei de que, e eu dizia que aquilo ali eram Secretarias que não tinham sentido. E ele (Wall Ferraz) me dizia: olhe, você vai ser prefeito de Teresina um dia e você vai ver que precisa ter uns cargos para acomodar determinadas pessoas (risos).

O sr. acredita que tem algum inimigo?

Da minha parte não…Quando você tem um inimigo é você que sofre. O melhor é perdoar. Jesus Cristo dizia: perdoa, ele não sabe o que faz. Então, é melhor perdoar. Eu tenho divergência política há bastante tempo com o ex-senador Heráclito Fortes. Agora na confraternização da S.A Propaganda com o Siqueira, meu grande amigo, fui lá dar um abraço nele (Heráclito Fortes). Ele disse: somos divergentes na política, mas somos maduros. Eu governador, e todo escândalo que tinha no Brasil e diziam: Wellington Dias está no meio. Isso era coisa da política e eu não tinha nada a ver… Infelizmente é o lado ruim da política é o denuncismo pelo denuncismo. Querendo desmoralizar o outro que termina perdendo a essência. Quando tem uma coisa séria, o povo não sabe nem quem está falando a verdade. Isso é ruim. Mas, quando diziam que eu estava envolvido no escândalo da pasta cor de rosa, da pasta preta, e cada escândalo botam nome. Agora é Lava Jato. E eu dizia: Ele (Heráclito Fortes) sabe que não é verdade e eu o perdoo. Ele (Heráclito Fortes) confessou para o Álvaro (Luiz Carneiro – assessor de imprensa de Dias) que peleja para brigar comigo e não consegue (risos).

Se eu faço a felicidade de quem estar a minha volta, eu vou viver num ambiente feliz. Isso é bom pra mim e não para os outros…

“Quando você tem um inimigo é você que sofre. O melhor é perdoar”…

Que situação lhe deixa irritado, bastante indignado?

Você ver coisas que têm solução e ela não acontece. A repetição. Eu sou pragmático e eu sofro com isso também. Aprendi com meu avô Félix Barroso, e ele era um filósofo. Ele dizia assim: todo problema tem solução, o problema que não tem solução, já está resolvido (risos). Quando tem um problema, é preciso saber: esse problema tem solução? Servidores do Estado estão querendo em janeiro de 2015 um reajuste de 20%. Esse problema está resolvido. Ele não tem solução. O Estado não está pagando nem o que tem, como dará reajuste para servidores, que vai botar mais de R$ 1 bilhão na folha de pagamento. Vai ter que ter um reajuste compatível com a situação do Estado. Estou dando um exemplo prático, concreto. Se o problema tem solução, você tem que ter a capacidade de resolver qual é o prazo para aquela solução. Se você pode resolver, resolva, não fique empurrando. Resolva logo. É um a menos. Se o problema vai precisar de um prazo, estabeleça um prazo adequado.

Dê um exemplo?

O que estou vivendo agora. Queremos equilibrar o Estado, mas iremos adotar medidas, que vamos levar pelo menos um ano para equilibrar o Estado. Não adianta ficar ansioso, porque não vai resolver em fevereiro, em março. Vai ser resolvido com um tempo maior. Nisso, eu sou pragmático de estabelecer prazos. O que tem de bom é que eu estou com menos ansiedade…

O que me irrita quando diz: isso aqui não tem solução. E vem de novo: não tem solução e vem de novo: não tem solução. Assim, eu saio do sério.

“Eu sou pragmático de estabelecer prazos. O que tem de bom é que eu estou com menos ansiedade”…

Qual foi a grande tristeza de 2014?

Foram alguns momentos. Eu me abalei muito, agora, com essa situação do incêndio – se referindo ao acidente na BR-316 que matou sete pessoas na explosão entre caminhão-tanque e ônibus no município de Monsenhor Gil. Eu visitei a região do semiárido e este ano foi um ano cruel, que foi o pico de vários anos de seca, a gente ver a lagoa de Parnaguá seca, a lagoa de Fidalgo seca. Você ver caju morrendo, abelha morrendo, reservatórios secos onde pessoas bebem água, isso me deixa muito abalado. Eu também vivi um momento duro familiar durante a campanha. A nossa filha Daniele, depois de muitos anos, voltou a ter convulsões. Nunca mais ela tinha tido.

Como o sr. administra a vida política e a doméstica com os filhos?

Uau! É o lado ruim da minha atividade. Até brinco muito com meu filho Vinicius – que faz Medicina – e eu sempre aconselho e nunca fui de incentivar nem a esposa e nem os filhos de serem políticos, falar que política é coisa boa…

O sr. não vai estimular seus filhos a serem políticos?

Não. Quero deixá-los livres, mas eu não quero que eles venham porque eu vou contar coisas boas. Normalmente eu falo da dureza. As pessoas, às vezes, olham para o parlamentar, ai ver, o político aquela horinha na Assembleia, três a quatro horas e acham aquilo ali é só o trabalho e depois não fazem mais nada (risos). Ali é onde você está mais tranquilo…

Eu lhe digo que é uma coisa que me machuca muito não poder olhar pra trás e às vezes não acompanhar o dia-a-dia dos meus filhos, muitas vezes coisas importantes na vida deles e eu não estava junto. Isso machuca. O que eu faço? Aproveitar o máximo hoje: vou jogar bola, ao cinema, jantar juntos com eles. Às vezes converso para saber como está com o namorado, na universidade. A gente vai se atualizando. Vou contar um segredo: dia de domingo, normalmente, a gente fica só em casa. A Rejane gosta da cozinha, e ela vai fazer a comida e a gente tem sempre que dizer que está boa (risos). Eu vou lavar pratos, coisa que aprendi bem, lavar pratos e talheres, organizar mesa. Eles vão organizar os quartos, a gente divide as tarefas. E o momento que me sinto mais junto de todo mundo…

O sr. pensa em deixar um dia a política?

Penso. Confesso que quando fui candidato em 2006. A minha ideia era fechar o mandato e ter um time que pudesse tocar o projeto pra frente. O que me move, o que me dar energia. Eu tenho convicção é que possível transformar o Estado mais pobre do Brasil em um estado desenvolvido. É como se fosse um projeto de vida. Sozinho, não. Deus me deu a capacidade de liderar. Uma equipe, um time e um conjunto de pessoas e o povo me deu essa oportunidade e eu quero aproveitar…lá atrás era mais difícil, eu mesmo pensava: será que isso vai dar certo. De 2003 pra cá, vejo que parte do programa prosseguiu, principalmente da metade de 2012. Eu sinto que da metade de 2012 para frente é que começou a ter uma ruptura.
A resposta é sim. Eu penso em me disponibilizar para esse mandato e se o povo me aprovar posso até disputar uma eleição seguinte. Mas, preparar um time de lideres não só do meu partido, mas de outros partidos, com esse compromisso com o Piauí. O que vejo de fantástico nessa nova experiência. Não é porque eu me sinto mais maduro, mais conhecedor…

O sr. não descarta essa possibilidade de ser novamente candidato?

 Eu não descarto, não descarto. Qual é o plano que a gente trabalhou lá atrás. Em 2002 a gente mostrava o seguinte: é possível pegar o Estado mais pobre do Brasil e em 20 anos – 2003 e 2022 e transformá-lo na média do desenvolvimento brasileiro. É isso que me move… Não é ser governador por causa do status do cargo, quero fazer transformação…cuidar de quem mais precisa…

O sr. fala em rompimento. O sr. tem mágoa do ex-governador Wilson Martins? A postura dele foi decepcionante para o senhor?

Nenhuma mágoa. Primeiro, sou grato na conjuntura que eu vivi em 2004, eu precisava de aliado, ele veio e aquilo foi importante, foi fundamental. As missões que dei a ele (Wilson Martins), desempenhou…Claro que o normal ali na política, de tudo que vinha construindo, era ter mantidos juntos. Ele fez outra opção. Deve ter suas razões. Mas, da minha parte nenhuma mágoa. Uma coisa que acho que não foi legal foi fazer a ruptura com o compromisso que fizemos juntos com o povo…Vou lhe dar aqui uma cena que mexe comigo. A gente ver em Santa Cruz do Piauí, a terra dele como governador, um belo prédio da universidade aberta, equipado, há vários anos e não funciona. Agora não é só na terra dele, mas em vários municípios…essa ruptura do que estava traçado é que não foi bom. Não foi bom pra mim, não foi bom foi para o povo. E o povo percebeu isso e por isso a votação que ele teve.

“As pessoas falam: a traição a Wellington Dias. A pior (traição) é ao povo”…

O sr. acha que houve traição?

Nós tínhamos um projeto, um plano para se trabalhar. Não há nenhuma mágoa, ressentimento. Acho que é um erro da política, não é pessoal. A minha relação pessoal será sempre correta e adequada. Sou grato as coisas que ele fez andar. Ele concluiu várias obras…
Eu desenhei até 2022 e a gente redimensionou por conta dessa ruptura para até 2025.

O que o senhor não vai tolerar no seu terceiro mandato?

Incompetência, corrupção e descaso com o Piauí. Os recursos são escassos e temos que aplicar cada centavo naquilo que é para o povo. Eu defendo que a gente tenha uma reforma política. E vou dizer aqui o que disse no dia da diplomação: ou tem reforma política ou não tem correção para os problemas da política como a corrupção…

O secretariado anunciando é a equipe dos sonhos, ou o senhor cedeu a caprichos e cobranças dos aliados?

Algumas pessoas querem que a gente seja eleito e governe com a oposição (risos). Tem que ser eleito com quem tem o sentimento, o desejo da mudança, do que a eleição representou. Eu tenho orgulho do time que chegou comigo e construiu essa vitória…

Fonte: Cidade Verde