contato@webpiaui.com.br

Publicidade

banner Dia do Piauí 2026

Publicidade

MPPI vai denunciar 14 gestores por manterem lixões

Estado já conta com 93 municípios que destinam corretamente os resíduos sólidos, mas Ministério Público cobra o cumprimento da legislação ambiental

| domingo, 2 agosto , 2026

Dois anos após o encerramento do prazo previsto para a destinação adequada dos resíduos sólidos no país, o Piauí alcançou a marca de 93 municípios com destinação ambientalmente correta dos resíduos. Apesar do avanço, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) informou que 14 gestores municipais serão denunciados por crime ambiental após descumprirem acordos firmados para eliminar os lixões a céu aberto.

O balanço foi apresentado pela promotora de Justiça Áurea Madruga, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoma) e responsável pelo programa Zero Lixões por um Piauí Mais Limpo, durante entrevista ao programa Vida Sustentável.

Segundo a promotora, os gestores assinaram Acordos de Não Persecução Penal (ANPP) comprometendo-se a encerrar os lixões dentro dos prazos estabelecidos, mas não cumpriram o acordo.

“Hoje nós temos 14 municípios que assinaram o acordo e não encerraram o seu lixão dentro do prazo. Já encaminhamos e serão denunciados, porque estamos diante de um crime ambiental”, afirmou.

Gestores podem responder nas esferas penal, administrativa e cível

Áurea Madruga explicou que a manutenção de lixões a céu aberto configura crime ambiental e pode resultar em responsabilização nas esferas penal, administrativa e cível.

Além da denúncia criminal, os gestores poderão sofrer sanções aplicadas pelos órgãos ambientais e ser obrigados a recuperar as áreas degradadas por meio de um Programa de Recuperação de Área Degradada (PRAD).

“Um dano ambiental gera três responsabilidades: penal, administrativa e cível. O gestor pode responder criminalmente, sofrer sanções administrativas e ainda ter que recuperar a área degradada por meio de um Programa de Recuperação de Área Degradada (PRAD)”, explicou.

Piauí amplia destinação adequada dos resíduos

De acordo com o MPPI, o estado encerrou o primeiro semestre de 2026 com 93 municípios realizando a destinação correta dos rejeitos, resultado das ações desenvolvidas pelo programa Zero Lixões, executado em parceria entre o Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI), Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Ministério Público de Contas e outras instituições.

Atualmente, o Piauí possui sete aterros sanitários licenciados, incluindo uma unidade inaugurada recentemente no município de Cristino Castro, no Sul do estado.

Segundo a promotora, o modelo adotado prioriza aterros regionais compartilhados entre municípios vizinhos, reduzindo os custos de implantação e manutenção.

“Estudos mostram que cerca de 40% do custo corresponde à construção do aterro e 60% à manutenção. Por isso, o modelo regionalizado, com vários municípios utilizando o mesmo aterro, é o mais viável”, destacou.

Lixões representam risco à saúde pública

Além dos impactos ambientais, a promotora alertou para os prejuízos causados à saúde da população pela manutenção dos lixões.

Segundo ela, esses locais favorecem a proliferação de roedores, mosquitos transmissores de doenças, queimadas, além da contaminação do solo e dos recursos hídricos.

“Muitas das situações que a sociedade enfrenta têm origem em um lixão a céu aberto próximo. Ali há proliferação de roedores, problemas relacionados à dengue, queimadas e outros impactos que atingem diretamente a saúde pública. Precisamos da destinação correta dos resíduos”, afirmou.

Lixões nunca tiveram autorização legal

Áurea Madruga também esclareceu que nunca houve previsão legal permitindo o funcionamento de lixões no Brasil.

Segundo ela, o prazo estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos dizia respeito apenas à destinação adequada dos rejeitos — materiais que não podem ser reciclados ou reutilizados — e não autorizava a continuidade dos depósitos irregulares de lixo.

“Nunca houve prazo para lixão. O que a legislação estabeleceu foi um prazo para a destinação dos rejeitos, que representam apenas uma pequena parcela dos resíduos encontrados nesses locais. A manutenção de lixões sempre configurou crime ambiental”, ressaltou.

A promotora afirmou ainda que o objetivo do Ministério Público é ampliar o número de municípios que destinam corretamente seus resíduos e alcançar a eliminação total dos lixões no estado.

“Acredito que o Piauí vai atingir a marca de zero lixões, como já aconteceu em outros estados. Não é um sonho, é uma necessidade”, concluiu.

Fonte: Cidade Verde