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Caso Tainah: Júri absolve Fernanda e muda crime atribuído a Geovana
A sentença não estabeleceu a pena neste momento. O Ministério Público ainda poderá recorrer da desclassificação. A sentença foi lida em plenário
Redação | quinta-feira, 10 setembro , 2026
O Tribunal do Júri julgou nesta quarta-feira (9) Fernanda Maria Lobão e Geovana Thais Vieira pela morte de Tainah Luz Brasil Rocha, ocorrida em 15 de maio de 2022, no bairro Mocambinho, em Teresina. O Conselho de Sentença absolveu Fernanda e reconheceu excesso culposo na conduta de Geovana.

Segundo a sentença, os jurados reconheceram a materialidade do crime, mas responderam negativamente ao quesito de autoria em relação a Fernanda. Com isso, ela foi absolvida da acusação de homicídio qualificado.
“Abolvo Fernanda Maria Lobão Ayres da imputação que lhe foi formulada, diante do afastamento da autoria pelo Conselho de Sentença”, diz a decisão do juiz.
Em relação a Geovana, os jurados reconheceram a materialidade e a autoria, mas negaram a tese de absolvição. Na sequência, reconheceram que ela agiu em legítima defesa de terceiro, ao tentar repelir uma agressão contra Fernanda, mas excedeu culposamente os limites necessários da defesa.
“o Conselho de Sentença reconheceu que a acusada agiu em legítima defesa de terceiros, porém excedeu culposamente os limites da causa de justificação”, afirma a sentença.
Com a decisão, a acusação de homicídio doloso qualificado foi desclassificada para homicídio culposo decorrente de excesso culposo, conforme os artigos 23, parágrafo único, e 121, § 3º, do Código Penal.
A sentença não estabeleceu a pena neste momento. O Ministério Público ainda poderá recorrer da desclassificação. Caso não haja recurso, o órgão deverá analisar a possibilidade de oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ou de suspensão condicional do processo.
“Assim sendo, deixo de proceder neste momento à aplicação da pena em relação a Geovana Thais Vieira da Silva”, registra a decisão.
A sentença foi lida em plenário e as partes e familiares da vítima foram considerados intimados.
Entenda o caso
Tainah era filha do jornalista Marcelo Rocha e morava em Curitiba. Ela estava em Teresina visitando familiares quando foi morta. Segundo as investigações, a jovem foi atingida por 13 golpes de faca durante uma discussão em uma residência no bairro Mocambinho.
Antes do julgamento, Marcelo Rocha falou sobre a expectativa da família pela decisão. Segundo ele, foram quatro anos de espera por uma resposta da Justiça.
“Hoje é de muita expectativa, de esperança de que a Justiça venha de fato ocorrer nesse caso. A família está há quatro anos esperando, é uma dor muito grande para todos, mas a gente está esperando que a justiça dos homens, a justiça de Deus venha acontecer de fato”, afirmou.
Acusação apontou participação das duas
O Ministério Público do Piauí denunciou Fernanda Maria Lobão e Geovana Thais Vieira por homicídio qualificado. Para a acusação, as duas participaram da morte de Tainah.
O promotor de Justiça João Mendes Benigno Filho afirmou durante o processo que a denúncia foi baseada nas provas reunidas durante a investigação e no laudo cadavérico.
“No corpo da Tainah havia mais de 13 perfurações e cortes. Uma pessoa só jamais teria provocado tamanha violência. No cenário do crime estavam as duas”, afirmou.
Segundo o promotor, uma das lesões encontradas no corpo da vítima reforçaria a participação de duas pessoas na agressão.
“Tainah teve uma perfuração profunda na coluna vertebral. Se havia uma agressão pelas costas, é porque outra pessoa participou da ação. Por isso, o Ministério Público ofereceu denúncia contra as duas”, disse.
Ainda conforme a acusação, o crime teria ocorrido após Tainah supostamente flertar com a ex-namorada de Fernanda. Para o Ministério Público, no entanto, não houve qualquer circunstância que justificasse as agressões sofridas pela jovem.
Versões das acusadas
Durante a audiência de instrução, Geovana Thais Vieira afirmou que tentou separar uma briga entre Tainah e Fernanda e que utilizou uma faca em meio a uma situação de desespero.
“Agi em desespero, porque a Tainah se debatia, chutava e enforcava. Só quis tirá-la de cima da Fernanda”, declarou.
Fernanda Maria Lobão, por sua vez, afirmou suspeitar que a morte da jovem não tenha sido provocada pelas agressões ocorridas durante a discussão.
O pai de Tainah chegou a questionar as versões apresentadas pelas acusadas durante o processo, embora tenha reconhecido o direito de defesa.
“Infelizmente a Tainah não está presente para poder dar a versão dela, mas eu acho que todos têm direito à defesa, mas 13 facadas, havia necessidade?”, afirmou Marcelo Rocha.
Família aguardava decisão
Antes da sentença, Marcelo Rocha disse esperar que os jurados analisassem as provas apresentadas durante o julgamento e tomassem uma decisão justa.
“O Ministério Público coloca que não há condições de uma só pessoa desferir tantas facadas, foram 13, segundo a perícia. Então o Ministério Público colocou que não há condições de que seja apenas uma acusada, apareceram duas facas e a gente agora vai aguardar. Eu acredito que o júri, por ser soberano e por ser verdadeiro, vai saber tomar a decisão necessária e que Deus ajude o corpo de jurados a tomar a decisão certa e justa”, declarou.
Tainah foi morta em 14 de maio de 2022, segundo a denúncia do Ministério Público, embora reportagens anteriores tenham registrado a data de 16 de maio. Ela estava na casa de uma colega quando ocorreu a discussão que terminou com sua morte.
O caso levou quatro anos até chegar ao Tribunal Popular do Júri. Em julho de 2026, a Justiça havia determinado que Fernanda e Geovana fossem submetidas a julgamento popular.
Fonte: Cidade Verde




