Piauí completa seis anos sem casos de sarampo, mas baixa vacinação mantém alerta
Estado não registra casos confirmados desde 2019 e apresenta o menor índice de incidência do Nordeste; em Picos, Dia D de vacinação será realizado no dia 22 de agosto
| sexta-feira, 7 agosto , 2026
O Piauí completa, em 2026, seis anos consecutivos sem registrar casos confirmados de sarampo, consolidando um dos melhores cenários epidemiológicos do país. O último caso confirmado da doença no estado ocorreu em 2019 e, desde 2020, não há registros de circulação do vírus.

Apesar do cenário positivo, as autoridades de saúde mantêm o alerta para o risco de reintrodução da doença. A principal preocupação está relacionada à redução das coberturas vacinais e à possibilidade de entrada do vírus por pessoas infectadas provenientes de regiões onde ainda há circulação do sarampo, tanto no Brasil quanto no exterior.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde tem reforçado as estratégias de vacinação e a busca ativa por pessoas que estejam com o esquema vacinal incompleto.
Piauí apresenta menor índice do Nordeste
Dados do painel de monitoramento do Ministério da Saúde apontam que o Piauí apresenta coeficiente de incidência de 0,059 e taxa de notificação de 0,06 caso suspeito por 100 mil habitantes, os menores índices entre os estados do Nordeste.
Embora os indicadores sejam compatíveis com a ausência de circulação sustentada do vírus, o Ministério da Saúde ressalta que a situação não elimina a necessidade de manter a vigilância epidemiológica.
A orientação é que os municípios investiguem imediatamente pessoas que apresentem sintomas compatíveis com o sarampo, como febre alta, manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza e conjuntivite. A identificação rápida de casos suspeitos é considerada fundamental para evitar que uma eventual infecção importada provoque transmissão local.
Estado saiu de mais de mil casos para seis anos sem registros
Os dados históricos mostram a mudança no cenário epidemiológico do Piauí ao longo das últimas décadas.
Em 1990, o estado registrou 1.282 casos confirmados de sarampo e 30 mortes provocadas por complicações da doença. Com a ampliação das campanhas de vacinação e o fortalecimento da vigilância epidemiológica, os registros começaram a cair progressivamente.
A partir dos anos 2000, os casos se tornaram cada vez menos frequentes. Em 2019, foram confirmados apenas três casos no Piauí. Desde 2020, não há novos casos confirmados.
O estado também não registra mortes por sarampo desde a década de 1990.
Brasil recuperou certificação de eliminação do sarampo
Enquanto o Piauí mantém a doença sob controle, o Brasil passou por um novo ciclo de transmissão nos últimos anos.
Depois de registrar o último caso em 2015, o país recebeu, em 2016, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a certificação de eliminação da circulação do vírus do sarampo. Em 2016 e 2017, não houve confirmação de casos no território nacional.
A situação mudou a partir de 2018, quando o vírus voltou a circular no país. O retorno esteve relacionado, entre outros fatores, ao fluxo migratório internacional e à redução das coberturas vacinais.
Em 2019, após mais de 12 meses de transmissão contínua, o Brasil perdeu a certificação de eliminação do sarampo.
Entre 2018 e 2022, o país registrou mais de 39 mil casos confirmados, com maior concentração em 2019. A partir de 2021, os números apresentaram queda significativa, chegando a 41 casos em 2022.
Em 2023, não houve casos confirmados. Já em 2024, foram registrados cinco casos, em sua maioria relacionados a casos importados ou a viagens internacionais.
Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos, distribuídos em diferentes estados. Parte das infecções esteve relacionada a viagens internacionais, enquanto outras ocorreram em pessoas não vacinadas ou com o esquema vacinal incompleto.
Em novembro de 2024, o Brasil recuperou a certificação de eliminação da circulação endêmica do vírus do sarampo. Mesmo assim, o Ministério da Saúde alerta que o país permanece vulnerável à ocorrência de casos importados e de surtos localizados.
Em 2026, novos casos registrados em estados como São Paulo e Rio de Janeiro voltaram a reforçar a necessidade de manter a vigilância e a vacinação em dia.
Picos prepara Dia D de vacinação
Em Picos, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou uma mobilização para atualizar a situação vacinal da população, principalmente entre crianças e pessoas que estejam com doses atrasadas.
A coordenadora municipal de Imunização, Rita Angélica, destacou que, apesar de o Piauí permanecer sem casos confirmados, a redução das coberturas vacinais exige atenção.
“Não temos nenhum caso notificado aqui no estado do Piauí. Mas, diante desse risco e das baixas coberturas vacinais, o Ministério da Saúde considerou relevante realizar uma estratégia para resgatar principalmente as crianças que estejam com a vacinação em atraso.”
Segundo a coordenadora, o município realizará, no dia 22 de agosto, um Dia D de vacinação. Na ocasião, todas as Unidades Básicas de Saúde que possuem sala de vacina funcionarão durante todo o dia para atender a população.
Pessoas que perderam a caderneta de vacinação também poderão procurar uma UBS. O histórico de vacinação pode ser consultado no sistema do SUS e, caso seja identificada alguma pendência, as doses necessárias poderão ser atualizadas.
Baixa cobertura aumenta risco de reintrodução
O sarampo é considerado uma das doenças virais mais contagiosas do mundo. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para diversas outras que não estejam protegidas.
Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que a cobertura vacinal permaneça acima de 95%, índice considerado necessário para manter a imunidade coletiva e dificultar a circulação do vírus.
A experiência recente do Brasil demonstra que a queda na vacinação pode favorecer o retorno da doença. Após eliminar a circulação endêmica do vírus, o país voltou a registrar surtos a partir de 2018, em um cenário associado à redução das coberturas vacinais e à entrada de casos importados.
Vacina é a principal forma de prevenção
A principal forma de prevenção contra o sarampo continua sendo a vacinação. A tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A recomendação das autoridades de saúde é que pais, responsáveis e adultos verifiquem a situação vacinal e procurem uma unidade de saúde para atualizar as doses que estiverem pendentes.
Mesmo sem registrar casos confirmados há seis anos, o Piauí mantém a vigilância para evitar que uma eventual introdução do vírus provoque novos casos e restabeleça a transmissão da doença no estado.
Fonte: Cidade Verde



