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Fábio critica Ciro e aponta impactos do Master nas eleições

O parlamentar também incluiu nas críticas o ex-presidente Jair Bolsonaro, lembrando a doação feita, em 2022, por Fabiano Campos Zettel

| sábado, 9 maio , 2026

O deputado estadual e presidente do PT no Piauí, Fábio Novo, comentou, em entrevista a tv nesta sexta-feira (8), o impacto das investigações da Polícia Federal que apontam ligação do senador Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso no âmbito da operação Compliance Zero, suspeito de liderar fraudes bilionárias, ocultar patrimônio e ameaçar envolvidos, e agora negocia uma delação premiada.

Fábio Novo fez duras críticas ao senador, afirmando que o mandato de Ciro foi “alugado”. Ele também apontou que, se o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) tivesse sido ampliado de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, como propôs a emenda do senador, bancos públicos como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil seriam os mais afetados.

“É um mandato que foi alugado para interesses de um banco privado. Se tivesse passado a emenda que o Ciro topou, e que ele copiou literalmente, nós teríamos dado um rombo no sistema financeiro do Brasil de cerca de R$ 150 bilhões. O prejuízo do Master é de R$ 40 bilhões. Quem iria pagar essa conta? Seriam o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e as pessoas que têm dinheiro depositado lá, porque é o Fundo Garantidor que cobre isso. É muito triste ver que ontem um jornal de audiência nacional dedicou 20 minutos a uma situação como essa: um mandato do povo do Piauí emprestado para interesses de um banco privado. Sinceramente, são das coisas mais absurdas possíveis, com farta documentação e com decisão de um ministro da Suprema Corte (André Mendonça). Diga-se de passagem, um ministro que não foi indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas do presidente Jair Bolsonaro. Então, não há o que questionar, porque o negócio é tão feio que o ministro teve que dar aquela decisão. O irmão do senador está com tornozeleira eletrônica”, apontou.

Ao ser questionado sobre os impactos eleitorais, Fábio Novo acredita que o caso Master terá influência nos cenários nacional e estadual. O parlamentar também incluiu nas críticas o ex-presidente Jair Bolsonaro, lembrando a doação feita, em 2022, por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, para a campanha de reeleição do ex-presidente.

“O que foi colocado ontem é que o líder do Centrão, infelizmente um piauiense, está envolvido nisso. Eu lamento muito. Você paga cartão de crédito, diária de hotel em Nova York de R$ 22 mil. O que poderia ser feito com esse dinheiro para ajudar o povo do Piauí, que precisa? E ainda se coloca como paladino da moralidade. Detalhe: o bolsonarismo está todo no meio dessa história. Lembrem-se de que o Vorcaro deu R$ 3 milhões para a campanha do Bolsonaro e estava financiando quem queria ser vice do Flávio Bolsonaro. Então, isso terá desdobramentos tanto em nível nacional quanto aqui no estado”, disse.

Novo também comentou sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar o caso. O senador Flávio Bolsonaro, nas redes sociais, afirmou que o PT foi contra a criação da CPI do Banco Master, declaração que foi rebatida. Além disso, o deputado estadual também atrelou a rejeição do Senado a Jorge Messias às investigações contra o banco.

“Na verdade, o Flávio e todo o grupo deles são contra a CPI do Banco Master. Quem está pedindo investigação é o PT e outros partidos. Eu defendo que haja uma investigação ampla. Quem tiver responsabilidade, que pague. Seja do PL, do PT ou de qualquer outro partido. Precisamos passar essa história a limpo, porque é o maior escândalo financeiro de um banco no país. Já deu prejuízo de R$ 40 bilhões ao sistema financeiro nacional. Isso tem que ser investigado, doa a quem doer. E está ficando claro por que o Messias foi rejeitado pela primeira vez na história. Por que ele foi rejeitado? Porque aquilo foi um recado ao presidente Lula. O que a imprensa está colocando é que o presidente do Senado tentou um acordo com Lula para amenizar a questão do Banco Master, e Lula disse: ‘Não. Temos que investigar tudo’. Então, eu defendo que tudo e todos sejam investigados”, concluiu.

Fonte: Cidade Verde