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Maioria dos feminicídios ocorre no 1º ano da separação

O estudo mostrou que a presença de delegacias da mulher reduz os crimes, mas não na mesma proporção para mulheres negras

| sábado, 20 setembro , 2025

A delegada Eugênia Villa, diretora de Avaliação de Risco da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), alertou para o risco elevado de feminicídios no período de até um ano após o término de um relacionamento. De acordo com a gestora, a maioria esmagadora dos casos registrados no estado ocorre justamente nesse intervalo de tempo.

“Entre 88% e 90% dos feminicídios aconteceram no primeiro ano após o fim de um relacionamento, e isso é muito expressivo. A separação é, de fato, um fator que pode acelerar esse tipo de crime”, destacou a delegada.

Eugênia também chamou atenção para o papel essencial das medidas protetivas de urgência na prevenção à violência contra a mulher. Segundo ela, há uma diferença clara entre as mulheres que buscaram ajuda e as que não chegaram a registrar boletim de ocorrência.

“As medidas protetivas salvam vidas. As mulheres que foram vítimas de feminicídio no Piauí, em sua maioria — 88% —, sequer registraram boletim de ocorrência. Isso significa que elas não entraram na nossa rede de proteção. Já as mulheres que nos procuram e recebem medidas protetivas estão, sim, sendo salvas”, afirmou.

Estudo do Banco Mundial aponta impacto positivo das delegacias da mulher

A delegada citou ainda um estudo realizado pelo Banco Mundial, em parceria com universidades do Canadá e do Brasil, que demonstrou uma redução entre 12% e 15% nos índices de violência contra a mulher em localidades onde há delegacias especializadas. No entanto, ela pontuou que esse impacto não é percebido de forma igual entre mulheres negras.

“O estudo mostrou que a presença de delegacias da mulher reduz os crimes, mas não na mesma proporção para mulheres negras. Isso pode estar relacionado a diversos fatores, como dificuldade de acesso aos serviços, nível de escolaridade, renda familiar e até a ausência de representatividade nas instituições”, disse.

Eugênia ressaltou ainda a importância de refletir sobre o papel do racismo institucional como obstáculo ao acesso das mulheres negras aos serviços de proteção.

“O Piauí é pioneiro em diversos protocolos de atendimento à mulher, mas precisamos entender por que ainda há tantas que não nos procuram. Será por falta de representatividade? Será que não confiam na polícia? São perguntas difíceis, mas necessárias. Precisamos de diagnósticos mais aprofundados, especialmente sobre como o racismo institucional impacta essas mulheres”, concluiu.

Fonte: Cidade Verde